escrito/traduzido por : sónia cruz / mateus mendes
Dia mundial do ambiente - 5 de Junho 2007
Nota de Imprensa - União Vegetariana Europeia
Ambientalistas que comem carne: uma contradição?
Não é preciso muito para chegar à conclusão de que, em termos de consumo de terra,
água e energia, é de longe mais eficiente viver de plantas do que alimentarmo-nos dos cadáveres de
animais que, por sua vez, tiveram que comer enormes quantidades de plantas para abastecer o seu próprio
crescimento e desenvolvimento.
Estudos de veganos (dieta sem produtos animais),
vegetarianos (comem leite e ovos), e omnívoros (que comem carne e peixe) demontraram já, sem sombra de
dúvida, que os seres humanos, crianças incluídas, podem ser perfeitamente saudáveis sem
comer carne.
A novidade é o crescente reconhecimento de que estamos a atingir os
limites de capacidade dos recursos do nosso planeta, e a aceitação, por parte de entidades internacionais
com autoridade, de que a razão principal desse facto é a crença geral - a nível mundial
e ainda a aumentar - da necessidade de se comer carne.
O aquecimento global é cada
vez mais aceite como o desafio do séc. XXI, e o mais recente relatório da FAO (Food and agriculture
organization, ou seja Organização para a alimentação e agricultura), das
Nações Unidas, intitulado "Livestock's long shadow" (A enorme sombra do gado), mostra, sem
a menor dúvida, a importância da nossa escolha em termos alimentares no que se refere a este assunto:
"O sector da agro-pecuária é um dos dois ou três que mais
contribui para os mais graves problemas ambientais, tanto a nível local como global.
O sector agro-pecuário (...) é responsável por 18 por cento das emissões de gases de
efeito de estufa, medidos em equivalentes a dióxido de carbono (CO2). É uma percentagem mais alta do que
os gases emitidos por meios de transporte.
A procura de carne e de alimento para os
animais para abate tem originado a destruição de florestas e, como consequência, o aumento massivo
das emissões de CO2.
Apesar das provas mais que evidentes de que é
necessária uma mudança de hábitos, a maior parte destas organizações continua a
achar que a carne vai estar sempre presente nas nossas vidas. Enquanto que reconhece o impacto negativo do consumo de
carne no ambiente, a FAO estima que o consumo de leite e carne seja o dobro do actual em 2050.
Eles viram o problema, e a solução está à frente dos seus olhos,
contudo parece que os líderes mundiais simplesmente não conseguem imaginar um futuro que não
dependa dos produtos animais.
No entanto, se nós não conseguimos imaginar um
futuro assim E dar imediatamente os passos para torná-lo realidade, então não teremos
mesmo nenhum futuro. Se dermos o salto rapidamente ainda nos poderemos dar ao luxo de olhar para as
gerações passadas do miradouro do único futuro viável - de onde um ambientalista que come
carne será visto como um conceito tão absurdo como um esclavagista igualitário.
Renato Pichler
Presidente
União Vegetariana Europeia
www.euroveg.eu
president@euroveg.eu